Operação Lei Seca nas noites Cariocas


Queda no movimento leva bares e restaurantes a fechar mais cedo. Carioca busca saídas criativas e uso do táxi cresce até 10%.

Um ano após virar lei, a tolerância zero ao álcool no trânsito vem reduzindo o número de acidentes nas ruas do Rio e causando ainda outro efeito colateral: a noite dos cariocas está mais curta. Para driblar a queda no movimento, que chega a 20%, muitos passaram a fechar as portas mais cedo. “O fato que chama a nossa atenção é qu
e as casas passaram a fechar mais cedo".

Segundo Alexandre Sampaio, esse toque de recolher informal da boemia é uma das formas que os estabelecimentos encontraram para absorver a mudança não só da legislação, mas do comportamento do carioca, que, com o aumento da fisc
alização, passou a ter mais cuidado com a combinação "álcool e volante".


Sampaio conta que a queda no movimento já foi maior – chegou a 40% logo no início de vigência da lei. Hoje estacionou entre 10% e 12% nos r
estaurantes e entre 13% a 15% nos bares. “Iniciativas particulares como convênios com cooperativas de táxis e amigos que se revezam para dirigir ao sair ajudaram a reduzir o impacto”, explica.


No bar Espírito do Chopp, na Cobal do Humaitá, Zona Sul do Rio, uma parceria com empresas de táxi dá descontos aos clientes que consumem bebidas alcoólicas. O mesmo ocorre na Baixada Fluminense, onde a cooperativa Meriti R
ádio Táxi, localizada num shopping da região, oferece um desconto de 10% para os clientes que consumirem bebidas alcoólicas.




Se o consumo de chope caiu, outros segmentos e serviços aumentaram a reboque da Lei Seca. Luiz Antônio da Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Rio, conta que, com a nova lei, a procura pelos veículos aumentou entre 5% e 10%.




A operacão conta com o apoio de muitos taxistas, que colocam gratuitamente adesivos em seus carros apoiando o projeto. Além de táxis, vans e ônibus também circulam com adesivos .



De 19 de março a 16 de junho, 22.468 veículos foram abordados. Desses, 4.653 acabaram multados e 1.402 foram rebocados. Outras 2.660 carteiras foram apreendidas. Ao todo, 20.532 motoristas fizeram o teste do bafômetro e outros 1.936 se recusaram, tendo, com isso, a carteira recolhida e levando ainda uma multa de R$ 957,70.




Ainda no mesmo período, 888 motoristas foram flagrados com índice de alcoolemia acima do permitido. Esse cerco fechado ao álcool no trânsito rendeu bons frutos: só em maio, o número de acidentes no Rio teve uma queda recorde de 36,2% em relação ao mesmo período do ano passado. “Ninguém gosta de ser parado no trânsito. Inicialmente as pessoas reagiam, mas a partir do momento que as pessoas começaram a conhecer o projeto começou a diminuir a resistência do teste do bafômetro”, explica Carlos Alberto Lopes, subsecretário de governo e coordenador geral da Operação Lei Seca.


O projeto, que custa R$ 200 mil por mês, é financiado pelo Detran e conta com seis equipes, cada uma com 20 integrantes.